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Projeto de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico na Área do Loteamento Vale do Cerrado, município de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul

Nossa equipe está começando uma nova pesquisa neste Município e queremos compartilhar com você o que iremos investigar durante estes próximos meses. 

Esse tipo de pesquisa está prevista na Instrução Normativa/IPHAN nº 001, de 25 de março de 2015, a qual dispõe sobre “os procedimentos administrativos a serem observados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional nos processos de licenciamento ambiental” e visa atender ao disposto na legislação que trata da proteção e preservação do patrimônio arqueológico, em especial a Lei nº 3.924, de 26 de julho de 1961 que “dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos” e o Art. 216 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 que trata do patrimônio cultural brasileiro de natureza material e imaterial. ​

Processo no IPHAN nº 01401.000150/2024-49

 

O que é arqueologia, o que é patrimônio arqueológico e quem fiscaliza as ações?
Clique nas imagens abaixo e sabia mais!

O estado do Mato Grosso do Sul é conhecido por seu variado mosaico de paisagens,que inclui o Cerrado, o Pantanal e a Mata Atlântica. Esses biomas distintos proporcionaramuma ampla gama de recursos naturais que foram aproveitados pelas populações indígenas ao longo do tempo.

 

A diversidade ambiental do estado se reflete na riqueza e variedade dossítios arqueológicos encontrados, que incluem artefatos líticos, cerâmicas, sítios com pinturase gravuras rupestres e estruturas habitacionais.

Contexto arqueológico regional

 

A região de Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, está inserida em um contexto ambiental e cultural extremamente diverso, caracterizado pela transição entre os biomas Cerrado e Pantanal. Essa diversidade ambiental proporcionou, ao longo de milhares de anos, condições favoráveis para a ocupação humana, refletindo-se na riqueza do patrimônio arqueológico regional.

Os registros arqueológicos evidenciam a presença de diferentes grupos humanos ao longo do tempo, incluindo populações caçadoras-coletoras e grupos ceramistas associados a tradições indígenas mais recentes. Esses vestígios incluem artefatos líticos, cerâmicas, estruturas de habitação e, em algumas regiões do estado, manifestações rupestres.

A configuração geológica e geomorfológica — com solos profundos, relevo suave e disponibilidade hídrica — também contribuiu para a preservação desses vestígios, tornando a região um importante campo de estudo para a arqueologia brasileira.

 

Sítios arqueológicos em Campo Grande

O município de Campo Grande possui atualmente pelo menos 18 sítios arqueológicos registrados junto ao IPHAN, distribuídos principalmente ao longo de cursos d’água, como o rio Anhanduí e seus afluentes.

Esses sítios apresentam, em sua maioria, contextos pré-coloniais e incluem vestígios associados a diferentes formas de ocupação, como áreas de atividades domésticas, acampamentos e possíveis áreas de uso contínuo ao longo do tempo. Entre os sítios registrados destacam-se aqueles localizados em córregos, cabeceiras e margens fluviais, evidenciando a forte relação entre ocupação humana e disponibilidade de recursos hídricos.

Na década de 1990, a pesquisa arqueológica no Mato Grosso do Sul teve um avanço significativo. Durante esse período, diversos projetos de grande escala foram iniciados em áreas do estado que ainda não haviam sido exploradas pela Arqueologia. Esses esforços resultaram na identificação e registro de mais de 400 novos sítios arqueológicos. A maioria dessas descobertas revelou contextos arqueológicos abrangendo longos períodos do passado pré-colonial, incluindo fases formativas e clássicas das culturas indígenas, bem como cenários antigos de caçadores-coletores. (MARTINS, KASHIMOTO & TATUMI, 1999). 

Segundo essas pesquisas, podemos agrupar em pelo menos três períodos principais de ocupações: 

Contexto etno-histórico regional​

 

A ocupação humana da região não se restringe ao período pré-colonial, sendo marcada também pela presença histórica de diversos povos indígenas, que construíram relações profundas com o território e seus recursos naturais.​

 

Essas populações desenvolveram sistemas de subsistência baseados na caça, coleta, agricultura e manejo ambiental, deixando marcas tanto no registro arqueológico quanto nas tradições culturais ainda presentes na região.

 

​Com a chegada dos colonizadores europeus e a expansão das frentes econômicas, ocorreram profundas transformações territoriais e socioculturais, impactando diretamente os modos de vida indígenas. Ainda assim, muitos desses grupos mantêm práticas culturais, saberes tradicionais e vínculos territoriais que constituem parte essencial do patrimônio cultural brasileiro.

 

​Formação histórica do Município

 

A formação histórica de Campo Grande está diretamente relacionada aos processos de ocupação do interior do Brasil, especialmente a partir do final do século XIX, com a expansão das atividades agropecuárias e das rotas comerciais.​

 

O crescimento urbano foi impulsionado por fatores estratégicos, como a implantação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que integrou a região a outras áreas do país, favorecendo o desenvolvimento econômico e demográfico.​

 

Ao longo do século XX, Campo Grande consolidou-se como um importante polo regional, combinando características urbanas modernas com forte vínculo com o meio rural. Esse processo histórico resultou em uma paisagem cultural marcada pela sobreposição de diferentes temporalidades — desde as ocupações pré-coloniais até a configuração urbana contemporânea.

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Saiba mais sobre a pesquisa arqueológica no âmbito do licenciamento ambiental (clique aqui)

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